O Supremo Tribunal Federal encerrou a sessão mais tensa de sua história recente sem decidir se abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Acontece que o escândalo já mexe no painel eleitoral, a menos de 20 dias da votação.
- O julgamento iria discutir se Moraes usou seu cargo para proteger Daniel Vorcaro, do Banco Master. Na prática, ele mostrou publicamente uma Corte dividida por embates pessoais e disputas de poder.
Com isso, logo passaram a circular também supostas mensagens de “whatzaap” entre os ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques, além de mensagens entre Gilmar e Luiz Fux. Nelas, os ministros trocavam farpas, com provocações iniciadas por Gilmar numa possível chantagem aos colegas.
Outro ponto central foi quando Flávio Dino disse que Vorcaro trocou mensagens com Luiz Fux e Kássio Nunes Marques. Até então, os ministros ainda não haviam sido relacionados ao caso Master nem ao banqueiro.
A reação dos candidatos à Presidência
Depois da sessão, o presidente Lula defendeu apuração “doa a quem doer”. Nos bastidores, sua equipe trabalha para distanciá-lo de Moraes, temendo que um desfecho favorável ao ministro seja usado pela campanha adversária.
- Apesar do esforço para gerar esse distanciamento, Lula defendeu Moraes em um podcast. O presidente disse que Flávio não quer brigar com o ministro pelo Banco Master, mas porque Moraes mandou prender o pai dele.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro afirmou que “a tropa de choque do Lula” blindou Moraes e que o Brasil está “sem comando” porque o presidente “dividiu o poder” com o ministro. Aliados avaliam a crise como favorável à campanha dele — mesmo com Vorcaro também citado no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
As posições deles sobre o Judiciário importam porque o próximo presidente será responsável por indicar cerca de 4 ministros novos ao STF, o que pode mudar inclusive o tom da Corte.
O julgamento de André Mendonça acontece dez dias antes da votação do primeiro turno. Até lá, o Senado já articula um grupo de trabalho para discutir uma reforma do Judiciário em até 60 dias.
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