O levantamento foi feito com 800 cubanos e cubano-americanos que vivem nos condados de Miami-Dade, Broward, Palm Beach e Monroe — regiões que concentram uma das maiores comunidades cubanas fora de Cuba
Uma nova pesquisa realizada pelo jornal Miami Herald revelou um dado que chama atenção nos Estados Unidos: a maioria dos cubanos e descendentes de cubanos no sul da Flórida apoia uma intervenção militar americana em Cuba para derrubar o regime comunista da ilha.
O levantamento foi feito com 800 cubanos e cubano-americanos que vivem nos condados de Miami-Dade, Broward, Palm Beach e Monroe — regiões que concentram uma das maiores comunidades cubanas fora de Cuba. A margem de erro é de aproximadamente 3,5 pontos percentuais.
Segundo a pesquisa, 79% dos entrevistados disseram apoiar algum tipo de ação militar dos Estados Unidos em Cuba. Desse total, 36% defendem uma operação focada diretamente na derrubada do governo comunista, enquanto 38% apoiam uma intervenção para promover mudança de regime e enfrentar a crise humanitária no país.
Os números surgem em um momento de tensão crescente entre Washington e Havana. Nas últimas semanas, o presidente Donald Trump endureceu o discurso contra Cuba, ampliou sanções econômicas e chegou a brincar publicamente sobre “tomar” a ilha com apoio militar americano — comentário que provocou reação imediata do governo cubano.
O líder cubano Miguel Díaz-Canel respondeu dizendo que Cuba não se renderia a ameaças americanas e acusou o governo Trump de elevar perigosamente o clima de confronto entre os dois países.
A pesquisa também mostra que muitos cubano-americanos rejeitam qualquer negociação que mantenha o atual governo comunista no poder, mesmo que isso traga melhorias econômicas para a população da ilha. Cerca de 78% afirmaram ser contra acordos desse tipo.
Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores foi o endurecimento da posição entre cubanos que emigraram mais recentemente. Entre aqueles que chegaram aos Estados Unidos depois dos anos 2000, o apoio a uma intervenção militar chega a 88%, percentual ainda maior do que entre exilados mais antigos.
Especialistas afirmam que os números refletem o desgaste crescente com a situação econômica e política de Cuba, que enfrenta falta de alimentos, medicamentos, combustível e energia elétrica, além de uma onda histórica de migração nos últimos anos.
Apesar do forte apoio à pressão contra Havana, parte da comunidade cubano-americana ainda teme as consequências de um conflito armado. Alguns entrevistados disseram apoiar mudanças políticas, mas sem derramamento de sangue ou destruição em massa na ilha.
A pesquisa reforça também o peso político da comunidade cubana na Flórida — estado considerado estratégico nas eleições americanas — e mostra como o tema Cuba continua sendo um dos assuntos mais sensíveis da política externa dos Estados Unidos.
JP NEWS


