EUA anunciam novas tarifas, e produtos brasileiros são alvos de sobretaxa de 12,5%

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A medida não afetará os produtos que estavam isentos, como café, carne bovina, etanol, aeronaves e peças da Embraer

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou nesta quinta-feira (23) um novo pacote de tarifas a importações oriundas de 60 economias. A medida impõe uma sobretaxa de 12,5% aos produtos brasileiros, mas mantém isenção ao café, à carne bovina, ao etanol, a aeronaves e peças da Embraer, a medicamentos e outros.

Sob a autoridade da Seção 301 da Lei de Comércio, que trata sobre práticas comerciais consideradas desleais pelos Estados Unidos, o novo pacote foi fixado na faixa de 10% a 12,5%. Além do Brasil, serão afetados:

  • África do Sul;
  • Arábia Saudita;
  • Argélia;
  • Angola;
  • Argentina;
  • Austrália;
  • Bahamas;
  • Bahrein;
  • Bangladesh;
  • Camboja;
  • Canadá;
  • Catar;
  • Cazaquistão;
  • Chile;
  • China;
  • Cingapura;
  • Colômbia;
  • Coreia do Sul;
  • Costa Rica;
  • Egito;
  • El Salvador;
  • Emirados Árabes Unidos;
  • Equador;
  • Filipinas;
  • Guatemala;
  • Guiana;
  • Honduras;
  • Hong Kong;
  • Índia;
  • Indonésia;
  • Iraque;
  • Israel;
  • Japão;
  • Jordânia;
  • Kuwait;
  • Líbia;
  • Malásia;
  • Marrocos;
  • México;
  • Nicarágua;
  • Nigéria;
  • Noruega;
  • Nova Zelândia;
  • Omã;
  • Paquistão;
  • Peru;
  • Reino Unido;
  • República Dominicana;
  • Rússia;
  • Sri Lanka;
  • Suíça;
  • Taiwan;
  • Tailândia;
  • Trinidad e Tobago;
  • Turquia;
  • União Europeia;
  • Uruguai;
  • Venezuela;
  • Vietnã.

Segundo comunicado, o USTR conduziu investigação contra as 60 economias por supostas falhas no combate ao trabalho escravo. “A ação de hoje começará a corrigir o que é tanto uma violação dos direitos humanos quanto uma prática comercial distorcida, visando melhorar o bem-estar dos trabalhadores em todo o mundo”, declarou o chefe do escritório, Jamieson Greer.

Em relatório sobre a investigação, o USTR afirmou que 54 economias investigadas não impuseram ou aplicaram medida para proibir a importação de mercadorias produzidas por meio de trabalho forçado.

O documento também disse que Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão e União Europeia conseguiram impor, mas não aplicaram “de forma eficaz” ações para impedir a venda de produtos oriundos do trabalho escravo ao exterior.

O USTR informou que 17 nações se comprometeram ou impuseram medidas para impedir a venda de produtos provenientes de trabalho escravo. Por esse motivo, sobretaxa de 10% será aplicada a importações de:

  • Argentina;
  • Bangladesh;
  • Camboja;
  • Canadá;
  • Equador;
  • El Salvador;
  • Guatemala;
  • Honduras;
  • Índia;
  • Indonésia;
  • Jordânia;
  • Malásia;
  • México;
  • Paquistão;
  • Sri Lanka;
  • Trinidad e Tobago;
  • Reino Unido.

Na prática, o novo pacote substitui a tarifa global de 10% aplicada sob autoridade da Seção 122 da Lei de Comércio, cuja vigência encerra na sexta-feira (24). A norma permite que o presidente dos Estados Unidos crie novos impostos e defina a política tarifária por até 150 dias quando o país não puder cumprir com suas obrigações de pagamento internacional ou o valor do dólar estiver sob ameaça.

Tarifa adicional de 25%

A nova sobretaxa se junta à tarifa adicional de 25% a diversos produtos brasileiros anunciada na quinta-feira (16). Entretanto, alguns produtos ficaram isentos da sobretaxa.

A aplicação de sobretaxa foi tomada sob a autoridade da Seção 301, que apurou práticas brasileiras em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento.

Em conversa por telefone com jornalistas, em 15 de julho, o chefe do USTR, Jamierson Greer, disse que a investigação concluiu que o Brasil adotou uma série de medidas consideradas injustas aos interesses norte-americanos.

  • Ordens judiciais sigilosas que obrigaram empresas de tecnologia norte-americanas a remover conteúdos políticos, inclusive de um presidente;
  • Multas diárias elevadas e ameaças de interrupção total das operações das plataformas no Brasil;
  • Favorecimento ao sistema Pix, tratado como “campeão nacional” do Banco Central, gerando desvantagem competitiva para empresas norte-americanas de pagamentos;
  • Concessão de tarifas preferenciais para Índia e México, sem reciprocidade aos produtos norte-americanos;
  • Falhas no combate à corrupção;
  • Impactos do desmatamento ilegal que prejudicam produtores agrícolas dos Estados Unidos.

Greer sinalizou dificuldades nas tratativas com o Brasil. “Estamos tentando há mais de um ano negociar com o governo brasileiro. Fizemos diversas ofertas e apresentamos diversas propostas, mas não obtivemos resposta satisfatória”, declarou.

O chefe do USTR chamou a postura brasileira de “excesso de declaração de intenção”. Segundo Greer, o Brasil se colocou à disposição para discutir todos os temas, mas que, para o governo norte-americano, não representava “uma concessão”.

JP NEWS MUNDO

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